quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"Sempre olhem para os dois lados"

           Certa vez eu estava querendo muito ver um filme no cinema, fazia pouco tempo que eu morava aqui, daí fui tomar banho, me arrumei e como não tinha carro na época fiquei esperando meus pais que acabaram demorando muito porque tinha visitas aqui. Quanto mais o tempo passava mais eu ficava puto com medo d não dar tempo ir ao cinema o que de fato acabou acontecendo.

           Fomos para o shopping iguatemi porém não deu tempo de ver o filme, fomos para a praça de alimentação e passei o restante do dia "emburrado", com raiva e foi um dia perdido pra mim.  Pois bem, depois de algumas reflexões e algumas horas no divã de minha ex analista comecei a perceber algo. Naquele dia tinha perdido um filme que eu adoraria ver e que iria me fazer muito feliz, porém comecei a ver outro lado da moeda, passei uma tarde toda com meus pais, que por sinal foram embora logo no outro dia, daí pensei, "é verdade perdi um filme, mas ganhei uma tarde de vida real, com pessoas q eu gostava", o pior é que na época por não ter esse cuidado de olhar para os dois lados acabei sem aproveitar mais. Fiz a escolha errada, escolhi a "emputação", a tristeza e me apeguei aos fatos ruins pra permanecer naquele sentimento ruim a tarde toda. 

          O que eu ganhei? Nada!

         Daí pensei que dali pra frente iria tentar escolher para que lado olhar com maior cuidado, para não escolher o lado errado novamente, o lado que não ajuda e traz a tristeza pra perto. Comecei a fazer um exercício de sempre que estivesse em uma situação ruim na qual eu não tivesse feliz, tentar verificar se não teria nada de bom ali para aproveitar para me deixar melhor, afinal um pouco de felicidade é melhor que felicidade nenhuma. É bem verdade que as vezes me esqueço desse exercício, até que fui para uma palestra do Pet Adams (não sei se é assim q escreve), aquele médico famoso que ia nos hospitais para tentar levar um pouco de alegria para quem estava doente, foi interpretado pelo Robin Wilians ( tambem não sei escrever, rsrsrs), entre uma das coisas que ele falou foi que a felicidade é uma questão de escolha, a gente tem q decidir que quer ser feliz e acabou!

          Daí eu pensei que realmente dá pra escolher, podemos ficar olhando só para um lado, o pior deles e nos apegarmos a esse lado de forma que garanta nossa melancolia e tristeza ou podemos tentar mudar um pouco o nosso olhar, para um outro lado que sempre existe, que pode nos trazer, se não a felicidade plena, mas ao menos um pouco dela! Podemos nos perguntar: " Porra, não tem nada aqui que possa me fazer bem, me deixar um pouco melhor, me fazer bem? Será que nada aqui é aproveitável? Acreditem, sempre tem!

         Quando tiverem em situações mais corriqueiras de desagrado ou de tristeza se perguntem isso que vai existir sim, é só treinar e se trabalhar para ver o outro lado. As vezes que consigo fazer isso me sinto melhor, nem que seja um pouco melhor, mas consigo aproveitar melhor outras coisas que estão ao redor daquela coisa que está me fazendo mal e sempre há alguma coisa pra aproveitar. Porém é uma questão de escolha e assim sendo podemos deixar essas pequenas coisas aproveitáveis de lado para ficar só com aquela q nos faz infeliz, triste.

          Vi um filme certa vez, chamado : Sempre olhe para os dois lados! Um cara que depois de descobrir que estava com câncer começou a ver como a vida pode ser boa. Pena que ele precisou se ver perto de perder a vida para poder valoriza-la. O filme passa essa mensagem, sempre há um outro lado para se olhar!

          Tenho um professor que me disse uma vez em uma aula que existem duas coisas que "foram criadas" para deixar o homem angustiado, infeliz, uma era a felicidade, não essa felicidade que nos deparamos com ela em momentos agradáveis, mas a felicidade mitológica, suprema, plena, e a outra coisa era a perfeição, segundo ele ninguém vai conseguir alcançar isso nunca e vamos viver nos frustrando, ou porque não temos a felicidade plena ou porque não somos perfeitos, erramos, somos falhos. Lembram da Caixa de Pandora? A felicidade era o ultimo dos males!

          Mas quem sabe possamos chegar perto dela escolhendo "para onde olhar", Como dizia o poeta, acho que Fernando Pessoa: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!" Continuo tentando e me exercitando para encontrar uma direção melhor para onde olhar, tentando utilizar o limão que a vida nos dar para fazer uma limonada e aqui e ali consigo e me sinto bem melhor nessas horas, melhor do que nas vezes que não consigo.

          Sempre olhem para os dois lados!!!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Racismo ou Injúria qualificada?

         No último jogo da seleção brasileira sub-20, dia 23, diante da Bolívia pelo Sul-Americano da categoria, o jogador Diego Maurício do Flamengo foi ofendido pela torcida boliviana que fez gestos e sons imitando um macaco, segundo o Arena Sportv, após um dos jogadores boliviano cair em campo e o jogador do Brasil continuar um contra-ataque e quase fazer o gol, falta de "fair play".
         O caso não foi o primeiro no mundo do futebol, um outro semelhante aconteceu com o jogador Grafite do São Paulo em um jogo pela taça Libertadores da América no Morumbi quando um dos jogadores da Argentina chamou o jogador do São Paulo de Macaco.
         A imprensa brasileira faz uma confusão imensa na tipificação dos casos, confundindo o crime de Racismo e a Injúria.
          O art. 5º, XLII da Constituição Federal de 1988 determina que a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.
A Lei 7.716/89 é quem trata da questão racismo no Brasil.
           Em contra partida o art. 140 , parágrafo 3º do Código Penal prevê a figura da Injúria qualificada, que quando é praticada utilizando-se como qualificadora o elemento "cor" fica muito assemelhado ao crime de Racismo gerando essa confusão por parte da imprensa.
          Ocorre que o primeiro, Racismo, é um crime que vai além da ofensa a honra subjetiva do sujeito passivo, evidenciando uma forma de segregação, de divisão de "raças", exemplo:

          Alguém chamado "A" corta outro alguém "B" no trânsito e devido a essa barbeiragem no trânsito o "B" coloca a cabeça pra fora do vidro e grita: - Só podia ser coisa de negro, preto é tudo igual mesmo! Aqui claramente estaremos diante de crime de Racismo, embora a ofensa tenha sido dirigida ao motorista "A", claramente a ofensa foi além, atingiu mais do que a honra do motorista.

          Na Injúria qualificada pelo elemento cor, o objetivo é atingir aquela pessoa específica e utiliza-se para isso o fato da vítima ser negra. Se utilizar-mos o exemplo acima, caso o motorista "B" tivesse gritado: -Seu preto safado, macaco! Não estariamos diante de racismo, más de Injúria qualificada, pois o objetivo foi macular a honra daquela pessoa, motorista "A", limitando-se a ela.

          Portanto no caso do Racismo o agente revela um sentimento em relação a uma raça enquanto que na injúria o agente manifesta-se como ofensa a honra subjetiva da vítima.